Aulas de Hebraico Bíblico I - 1o Semestre de 2011

Postado por Erike Couto

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Trecho de Josué 1:1 do Códice de Alepo (séc. X)
Para aqueles que desejam se aprofundar em seus estudos das Sagradas Escrituras, eis a oportunidade de estudar a língua dos profetas hebreus e conhecer a sua beleza. Lecionarei este ano em dois lugares, onde os alunos que nunca tiveram o contato com esta língua aprenderão as bases do hebraico bíblico, desde a sua alfabetização até gramática, com muita interpretação e leitura dos textos originais. Estou aberto a convites para lecionar em outros lugares também (se houver uma turma interessada).
Meu e-mail para contatos e dúvidas: erike.hebraico@gmail.com

UFMG (CENEX - Centro de Extensão)

Período de matrícula: 18/01/2011 a 17/03/2011
Período de Curso: 26/03/2011 a 02/07/2011
Horário: Sábado, de 13:30 a 17:00
Carga horária total: 52 horas/aula

Conteúdo: Alfabetização, gramática (substantivos, adjetivos, preposições, iniciação aos verbos hebraicos etc), história da língua e prática de leitura e interpretação da Bíblia Hebraica e léxicos.

Valor: 

- À vista: R$155,00, com vencimento no dia seguinte ao dia da matrícula.
- Parcelado: duas parcelas de R$85,00, sendo a primeira com vencimento no dia seguinte ao da matrícula e a segunda com vencimento em 10/04/2011.

Faça sua matrícula clicando aqui.
Local: Faculdade de Letras (FALE) da UFMG - Av. Antônio Carlos, 6627 - Campus Pampulha.

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Instituto ABBA

Início: 4 de março de 2011
Duração: 4 meses - até junho de 2011
Horário: de 19 às 21 horas

Conteúdo:
Alfabetização, gramática básica (substantivos, adjetivos, preposições etc), história da língua e prática de leitura e interpretação da Bíblia Hebraica.

Valor mensal: R$ 80,00.


Faça sua matrícula clicando aqui, pelo cursos@institutoabba.com ou pelos telefones (31) 2512-8969 ou 9214-3745

Local: Instituto ABBA - Rua Formiga, 467- São Cristovão - Belo Horizonte - MG. CEP: 31110-430.

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#6 Pergunta do formspring: Na passagem de Hb 1.3, gostaria de saber se tem algum implicação estar "palavra do seu poder" e não "poder de sua palavra", como está no original?

Postado por Erike Couto

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No original grego está τῶ ῥήματι τῆς δυνάμεως αὐτοῦ (tô rhémati tés dinámeôs autou - "pela palavra do poder dele"). Não existe nos textos mais aceitos dos originais e nem nas variantes textuais a frase "poder de sua palavra". Ela simplesmente significa que Jesus sustenta todas as coisas através do comando poderoso de Deus-Pai.

Abraços!

#5 Pergunta do formspring: Erike, porque os egípcios, nos afrescos, sempre mostram as pessoas de perfil, e nunca de frente? Algum motivo em especial?

Postado por Erike Couto

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Resposta:

Não. Pelo menos pelo pouco que sei. O motivo, por exemplo, estava no padrão de arte que eles tinham em mente, a cultura e sociedade onde estavam imersos e os materiais usados para a arte em geral. Em termos de material usado, utilizava-se muito a argila sobre as paredes dos templos e tumbas, proporcionando a criação de pinturas e esculturas em relevo, o que dificultava a exibição de outro ângulo de visão das pessoas retratadas a não ser de perfil. Em termos sociais e culturais, os egípcios não tinham o costume na exibição de forma exuberada do corpo humano tal como ocorreria, por exemplo, na Grécia Antiga. Por isso as pessoas delineadas sobre estas superfícies possuíam muitas vezes traços corporais desproporcionais entre si, como braços muito longos ou crânios ovais e, obviamente, a retratação de perfil. Era comum também a associação entre a estatura das pessoas retratadas e o posto dignatário delas, como pode ser visto nos afrescos da família real de Akenaton e Nefertiti em Tell-Amarna. Em vários deles, a família do rei tem uma estatura muito maior que a dos cortesões e camponeses, mostrando a superioridade daquela sobre estes.

Claro que as estátuas são um caso a parte, já que escultura tem três dimensões e o material utilizado pode ser mais explorado. Mas até mesmo esta modalidade artística, muitas vezes, tinha algumas destas características citadas, como a desproporção dos membros do corpo.

Espero ter ajudado. Abraços!

#4 Pergunta do formspring: Em Genesis 1.14-18, narra a criação dos luminares, gostaria de saber se o termo em hebraico para "fazer" nesta passagem pode receber o significado de "fazer aparecer", "descurtinar" ?

Postado por Erike Couto

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Resposta:

Não. Nem o texto mostra qualquer significado neste sentido, nem o verbo hebraico usado ali tem este significado. O significado do termo hebraico para "fazer" (עָשָׂה assah) é "fazer", "trabalhar sobre algo (material)" para a criação de uma determinada obra. Dá a idéia de trabalho com o contato direto do artífice, como em Ex 32:4 para se referir ao trabalho na confecção do ídolo na forma de um bezerro pelos israelitas utilizando-se o ouro. Outro texto, o de Ex 35:32, fala a respeito do trabalho de Bezalel sobre o ouro, prata e cobre para a confecção dos objetos do tabernáculo e lá utiliza-se o mesmo verbo "fazer" usado em Gn 1:17.

Tendo isso tudo em mente, é interessante notar que este será um dos verbos usados depois na criação do Homem do pó da terra: "E disse Deus: Façamos (נַעֲשֶׂה - na'asseh) o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança..." (Gn 1:26a).

Abraços!

#3 Pergunta do formspring: Qual a diferença nos termos em hebraico, no que diz respeito em se prostrar diante de D-us e diante de autoridades humanas e celestes?

Postado por Erike Couto

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Resposta:

De fato, não há um termo específico para "adoração" na língua hebraica. Os termos traduzidos normalmente por "adorar" são os verbos הִשְׁתַּחֲוָה (hishtaḥavah) e סָגַד (sagad). O primeiro está em um grau chamado "reflexivo" no hebraico, e significa "se curvar" (talvez, primitivamente, "se curvar" ou "se dobrar" como uma serpente, já que חויא ḥavia significa "serpente" em aramaico). Ele é usado tanto para seres humanos - como prostrar-se em reverência a alguém importante: "José, pois, era o governador daquela terra; ele vendia a todo o povo da terra; e os irmãos de José chegaram e inclinaram-se a ele (יִּשְׁתַּחֲווּ לוֹ yishtaḥavu lo) com o rosto em terra." (Gn 42:6) - quanto para adoração ao Senhor - " Tributai ao SENHOR a glória devida ao seu nome, adorai o SENHOR (הִשְׁתַּחֲווּ לַיהוה hishtaḥavu) na beleza da santidade." (Sl 29:2) ou a deuses pagãos - "Se te esqueceres do SENHOR, teu Deus, e andares após outros deuses, e os servires, e os adorares (הִשְׁתַּחֲוִיתָ לָהֶם hishtaḥaviyta lahem), protesto, hoje, contra vós outros que perecereis" (Dt 8:19).

O outro termo, "sagad", significa também "se prostrar" e é o termo mais comum nas línguas semíticas, fora do hebraico (no árabe سجد sagida; no aramaico סגיד segid) para se referir a "adoração" a Deus ou a um ídolo ("Se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses, nem adoraremos (נִסְגֻּד nisggud) a imagem de ouro que levantaste." - Dn 3:18). Mas ele também é usado quando se prostrava diante de uma personalidade de honra, como ocorre em Daniel ("Então, o rei Nabucodonosor se inclinou, e se prostrou rosto em terra perante Daniel (לְדָנִיֵּאל סְגִד ledaniel segid), e ordenou que lhe fizessem oferta de manjares e suaves perfumes." - Dn 2:46). A versão Almeida Corrigida Fiel traz "e adorou a Daniel", mas creio ser inconsistente esta tradução, pois se ele fosse adorado, Daniel teria relutado em receber tal ato diante dele. Na verdade era um ato de reverência comum em todo o Oriente Antigo.

Como distinguir, então, esta reverência a homens importantes e a adoração a Deus ou a falsos deuses na Bíblia? É simples: perceba que a adoração bíblica a Deus, por exemplo, é mais complexa e não se dá somente por uma prostração: ela sempre é acompanhada de uma série de ações no âmbito do sagrado ou trivial da vida, como ofertas, sacrifícios, serviço no Templo e louvores diversos emitidos pelo adorador. Isso pode ser visto nos versos acima, por exemplo, principalmente no verso Dt 8:19, onde Deus diz que a adoração que Lhe é devida é prostração e serviço e que os israelitas não deveriam desviá-los para outros deuses. A palavra para "serviço" aqui em hebraico é עָבַד avad, e significa literalmente "trabalho", se referindo ao complexo sistema ritualístico descrito no Pentateuco, executado pelos israelitas através dos sacerdotes e do Templo, por exemplo.

Mais tarde na história de Israel e da religião judaica, esta adoração e serviços seriam concebidas numa forma mais abstrata, como quando o salmista diz "Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus." (Sl 51:17) ou quando o escriba da época de Jesus afirmara que "amar a Deus de todo o coração e de todo o entendimento e de toda a força, e amar ao próximo como a si mesmo excede a todos os holocaustos e sacrifícios." (Mc 12:33). A resposta de Jesus sobre a afirmação do escriba nos responde muita coisa sobre como adorarmos a Deus: "Não estás longe do reino de Deus." (Mc 12:34).

Espero ter ajudado. Abraços!

#2 Pergunta do formspring: [1] Como aprendeu árabe e [2] como desenvolveu tanto interesse pelo Qur'an?

Postado por Erike Couto

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Resposta:

[1] Sozinho, com o auxílio de sites e leitura constante de livros e textos no idioma. [2] O Qur'an (ou Alcorão) é uma das primeiras (senão a primeira) obra literária textual escrita no idioma árabe, além de livro sagrado de milhões de pessoas falantes do árabe atualmente. Ele também é o resultado da confluência de diversas tradições da época de Maomé (judaica, cristã, árabes tribais, nebateus etc). Por isso não tem como um estudante de árabe, como eu, não lê-lo nem pesquisá-lo no original árabe. Mesmo sendo cristão, e não concordando consequentemente com muito daquilo que está escrito neste livro sagrado, admiro a beleza expressa em seus versos, extremamente poéticos, e a cultura e sociedade que eles expõem em suas palavras.

Abraços!

#1 formspring: No verso 4 do salmo 150, a palavra dança parece estar perdida no meio de nomes de instrumentos musicais. E a dança nunca fez parte do culto a DEUS no tabernáculo ou templo. Qual seria a mesma no original?

Postado por Erike Couto

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Resposta:

Esta pergunta é muito interessante. Parece à primeira vista periférica, mas ela ilustra muito bem a complexidade de uma língua - como o hebraico - e a dificuldade inerente à tradução de textos escritos nela - como o Tanach ou Velho Testamento - para outro idioma - o nosso, o português.

Neste texto, temos a palavra hebraica מחול (maḥol). Seu significado é obscuro. Mesmo que muitas bíblias traduzam-na por "dança", pela regra do "Parallelismus Membrorum" (versos paralelos que contém quse sempre sinônimos e idéias semelhantes), a palavra talvez se refira a um instrumento musical que hoje nos é desconhecido. Isso porque sua raíz, ח-ו-ל (ḥ-w-l) tem um de seus significados como "acontecer, ocorrer, rolar, rodear". Então, talvez aqui se refira ao momento em que todas estas ações acontecem em danças, que na cultura semítica é feita em alegres rodas, quando por exemplo os תופים (tupim, plural de תוף - tof) - "adufes" ou "tamborins" - são tocados em alguma festividade. A Septuaginta (cerca de III a.C) traduziu o termo por χορος (choros) que significa "dança com músicas". Em outro lugar aparece também esta mesma palavra: "Ainda te edificarei, e serás edificada, ó virgem de Israel! Ainda serás adornada com os teus tamboris, e sairás nas danças dos que se alegram." (Jr 31:4 ACF).

Agora, as versões da Almeida Corrigida e Revisada e em espanhol da Bíblia têm "flauta" no lugar de "dança". Por quê? Esta tradução alternativa talvez tenha advindo do fato de existir o paralelo desta raíz vista acima comn outra raíz próxima, ח-ל-ל (ḥ-ḥ-l), que tem como significados "perfurar" e "esvaziar". Esta é usada na palavra "flauta" em hebraico, חליל (ḥaḥiyl), que é um instrumento musical e é usado constantemente também nas Escrituras em paralelo com "tamborins" (Is 5:12 por exemplo), como ocorre em Sl 150:4.

Temos então um problema de tradução de um antigo termo hebraico, e a compreensão do termo original dependerá da mente do tradutor que o traduziu. De qualquer forma, quer seja "dança com música", quer seja "flauta", esta dificuldade nos serve para mostrar duas coisas: 1) há uma bela complexidade da bíblia e língua hebraica, com termos densos e vívidos de uma cultura cujo acesso a ela se tornou difícil pelo tempo; 2) o Senhor é glorificado com danças, instrumentos e louvores no meio de Seu povo, mesmo que não haja um mandamento bíblico expresso sobre isso.

Espero ter ajudado...

Abraços