Gimel (I)

Postado por Erike Couto

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Retornando aos comentários sobre as letras hebraicas, este post será sobre a letra gimel. Ela é a terceira letra do alfabeto hebraico (fig. 2.b, na forma quadrática da letra). Seu som sempre é de um “g” forte, como de galo mas nunca g fricativo como em gelo. Seu valor numérico é 3.

Pois bem. A respeito de qual representação pictográfica esta letra derivou não se tem muita certeza, como a maioria das letras hebraicas. As formas dela no fenício e proto-semitico, praticamente idênticas, são representadas na figura 2.a. Alguns estudiosos, como Alan Gardiner em sua obra “The Egyptian Origin of the Semitic Alphabet”, acreditavam que esta letra derivava da forma de um cajado ou haste na língua egípcia (fig. 1.a). Mas outros pesquisadores afirmam que poderia ser derivada do hieroglífico egípcio para “pé, perna” (fig. 1.b), trazendo consigo a idéia de “andar, caminhar, trazer, estabelecer”. Esta ultima opinião é a que sustento. Vejamos o porquê é a mais coerente.


O nome original desta letra provavelmente não era “gimel” (גימל), tal como a nomeamos atualmente, mas “gam” (em árabe até hoje é assim pronunciado, jam, جَم). Interpretando as letras que formam este antigo nome, teremos o significado original e primitivo de sua raiz e seus derivados. A letra Mem (מ), como veremos adiante em outro post, significa “águas” ou “mar”. Se o g (Gimel) de gam significa “pé, andar, caminhar” e o m (Mem) “águas”, então temos “andar para perto da água”. Estranho? Para nós pode não haver significado algum nesta frase, mas para os antigos hebreus ela era extremamente significativa e prática. No deserto, o “mundo” dos povos nômades, o local onde os hebreus faziam suas tendas para descansarem ou firmarem acampamento antes de partirem para outro local em busca de mais rotas de comerciantes ou para algum centro urbano era algum lugar perto dos oásis, locais com verdadeiras fontes de água, em plena sequidão do deserto, onde humanos e animais (como camelos, jumentos etc, animais de carga e transporte para o comércio e deslocamentos) poderiam estar juntos se reabastecendo para uma nova jornada. Como o hebraico é uma língua lógica, cuja base é a vida semi-nômade-pastoril hebréia primitiva, então esta raiz (gam) em sua antiga língua quer nos mostrar justamente isso: o “ir e se ajuntar ao local das águas” para a sobrevivência no deserto de animais e humanos.

Para conferirmos isso mais de perto, é só vermos a partícula גם em hebraico. Ela significa “também” ou “e”, e sempre traz a idéia de associação, conjunção, agrupamento, como em Ct 7:13 “As mandrágoras exalam o seu perfume, e às nossas portas há todo o gênero de excelentes frutos, novos e velhos (חדשים גם ישנים); ó amado meu, eu os guardei para ti”. Igualmente o verbo gamam, גמם que não possui documentado seu uso no hebraico antigo, mas que tem o significado de “ajuntar, congregar, aumentar, amontoar”. Isso porque a sua raiz cognata no árabe tem este mesmo significado (جَمّ, jamm - Gímel em árabe tem som de "j") e no hebraico antigo ela se encontra no núcleo da palavra מגמה, megammah, e significa “bando, ajuntamento” (árabe جمة, jummah). Este vocábulo hebraico aparece uma única vez no Velho Testamento, em Hq 1;9, na expressão מגמת פניהם, que pode ser traduzida como o ajuntamento de seus rostos”.

A partir do que foi visto acima, podemos perceber que aquela idéia mostrada anteriormente de “dissecar” a palavra, averiguar o significado primitivo dela (de “ir ao local das águas”) e comparar com as suas raízes derivadas já está funcionando. Mas, resta-nos algo ainda: há alguma raiz derivada de gam que esteja ligada ao elemento “água” e não somente à idéia de “ajuntar”, como vimos até agora? A resposta é "sim", existe! Melhor que isso, há uma palavra na qual estes dois elementos, o de “ir, ajuntar” e “água” se encontram. Ela é גמא gome’ e significa “junco”, justamente o nome da planta que se “ajunta, aglomera” ao redor da “água” dos rios, como ao longo do grande rio Nilo, para absorver este tão precioso bem para o seu crescimento. Esta mesma raiz, quando se encontra conjugada no hif’il, significa “dar de beber”, como na passagem de Gn 24:17, quando o servo de Abraão, Eliezer, diz a Rebeca “deixa-me beber (הגמיאיני, hagmi’ini) um pouco de água do teu cântaro”.

Pronto! Fecha-se o raciocínio. É extremamente interessante perceber como a formação das línguas semíticas e de seus alfabetos, em geral, e do hebraico, em particular, é algo rico e lógico. Gostaria de comentar mais algumas coisas, como a relação com a noissa vida prática, atual, destas relações de raízes hebraicas, mas para que este texto não acabe se tornando enfadonho, mas sim um singelo e espontâneo comentário sobre esta letra hebraica, deixarei o restante do raciocínio para um próximo post.

Beit (I)

Postado por Erike Couto

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Continuando nossos posts sobre as letras hebraicas, a próxima letra que iremos nos aprofundar é o Beit. Quero seguir a ordem alfabética pois acho mais interessantes para comentários posteriores que irei fazer.



A letra Beit (ב) no hebraico é a segunda letra na ordem alfabética, e tem o valor de “2”, quando usada como numeral. Ela tem essa forma, chamada de “quadrática”, por causa da influência das letras feitas por cuneiformes na Babilônia, na época do Exílio do povo judeu por aquelas bandas dos rios Tigre e Eufrates. Sua forma pré-exílica original, no proto-semítico e no fenício (cujo alfabeto foi tomado pelos hebreus posteriormente), era conforme mostrado na fig. 1. b. Esta forma é a achada nas inscrições encontradas em Serabit El-Khedim, que indicam a evolução do Beit proto-semítico apartir deste hieróglifo egípcio. Essa origem pode ter sido o hieróglifo cujo desenho era de um recinto (fig. 1a, na palavra egípcia para "templo", hwt, e na fig. 1.c, na palavra para horizonte, akhet).




Ela se encontra em muitas outras línguas semíticas, como no árabe (cujo nome é Ba - ب). Seu nome deriva da palavra Beit (בית) que significa “casa” (בית, bayt em hebraico bíblico). Daí a Betel bíblica (בית-אל, beit-el, “casa de Deus”) de Gn 12:18, onde Abraão fez sua tenda (אהל, ‘ohel) e edificou um altar ao Senhor. Ali também Jacó teve um sonho que, segundo o relato de Gn 28:16-17, tomou para si como sendo uma teofania e, dali em diante, reconhecera o local como casa de Deus (Gn 28:19).



Agora pergunto: o que a casa é para nós, humanos? Todos os animais tem uma “casa” – o passarinho seu ninho; o urso, sua caverna (Zé Coméia pelo menos tem a dele!); o leão, uma sombra projetada por alguma árvore na Savana para seu aconchego (acho que essa é a casa dele rsrs); as formigas, o bem estruturado formigueiro e assim por diante. Mas nós, seres feito à Imagem do Criador, além de vermos na casa um aconchego, refúgio contra o que está fora, vemos nela um lugar de interioridade, intimidade e também onde construímos algo para a posteridade. Hoje, em um mundo que é ao mesmo tempo tão cheio de “culturas humanas” (mesmo que existissem antes, foram estudadas melhor na Modernidade, como as do Extremo Oriente) e os progressos tecnológicos, mas ao mesmo tempo tão breve e vazio, temos a necessidade mais do que nunca de termos um local onde nos sentimos humanos, de onde podemos construir algo que permaneça para gerações, como um família estruturada e uma herança (também financeira, mas principalmente de vida e dignidade!) para nossa posteridade.



A casa no deserto: tenda de um nômade




Vejamos o que a letra Beit nos mostra sobre todos estes valores: quando ela vem anexada no início de alguma palavra, significa “em” e, às vezes, “com”, como em Gn 2:15 “E tomou o SENHOR Deus o homem, e o pôs no jardim (בגן, be-gan, no-jardim) do Éden para o lavrar e o guardar”. O que está “em” está no “interior”. Nossa casa é “dentro”, e não “fora”! Existe, claro, muita gente que é mais amiga que nossos familiares (PV 18:24), mas ainda não há coisa mais preciosa para alguém que ter uma família, em sua casa, em seu interior, em que se possa confiar e compartilhar de sua vida, quer sucessos, quer insucessos não é mesmo?



Não só isso, mas quando fazemos o paralelo entre esta letra e algumas raízes hebraicas que derivaram dela, vemos o quanto o pensamento semita antigo, principalmente o dos hebreus, é interessante, e ainda nos ensina algo para nossa vida, valores que mesmo sendo simples, tem uma importância extrema para nós, (pós?)-modernos.



A palavra Bait (בית) veio da raiz “בנה” (banah - “construir, edificar”). Mas onde está o “Nun” (נ) de בית, Beit? E podemos saber com toda a certeza esta relação entre Bait e banah? Sabemos a relação entre bait e a raíz banah na verdade por analogia com outras palavras parecidas com bait que contém raízes relacionadas a elas cujo Nun caira com a evolução natural da língua. Por exemplo, a palavra para “bolsa” (hebraico bíblico) ou “bolso” (hebraico moderno) – כיס (kis), vem da raiz כנסkanás – “entrar, ajuntar”. Quando ocorre isso em algumas palavras com mais de uma silaba, sabe-se que havia uma letra que “caiu” através do Dagesh Forte (sinal que indica consoante duplicada) que é posto no meio da letra seguinte a letra caida, indicando que a letra for a reduplicada para “tomar o lugar” da letra que caira. Isso ocorreu com חָזִּיר (chazir – “porco”), cuja forma original provavelmente fora חנזירchanzir (conferir o árabe خِنْزِير chinzir, onde o antigo Nun foi preservado). Mas, por alguma razão até agora por mim desconhecida, o Dagesh Forte não aparece na escrita massorética do texto bíblico na palavra para Bait. Por isso precisamos fazer estas analogias dela com outras palavras para chegarmos a conclusão proposta no início deste parágrafo.



Uma casa para a moradia é a construção humana por excelência, além de ser a primeira de todas as construções (ou aluguéis) que um homem faz na vida! Como estamos lidando com o pensamento de um povo antigo, semítico, expresso pela língua que falavam, precisamos saber também que alguns costumes eram quase obrigatórios à vida de um homem maduro. Um deles, após ter (en)casado, era o de ter filhos (Gn 1:22). Por isso as palavras para filho (בן, ben) e filha (בת, bat) em hebraico são derivadas da raiz banah e da palavra bait. É evidente a derivação na palavra ben, mas na palavra para filha precisamos conferir o árabe, onde a palavra para “menina, filha” é بنت (bint), onde o Nun de banah ainda se preserva. Daí, compreendemos que os filhos eram o objetivo final para aquele que construía um lar, uma casa, no pensamento hebraico, pois eram eles que levariam seus bens, materiais, de costumes e – principalmente – espirituais, para as gerações futuras. Este quadro é encravado hieroglificamente na própria palavra para filho, ben, formado pelas letras Beit (“casa”) e Nun (raiz relacionada às idéias de “semente”, “broto” e “prolongar”, “vir posteriormente nas gerações” – aramaico נונא, nuna, “peixe” – por causa de sua proliferação – e Sl 72:17 ”O seu nome permanecerá eternamente; o seu nome se irá propagando de pais a filhosינין, yanin - enquanto o sol durar…”): “os bens perpetuados nas gerações futuras”, que é justamente a função do filho na família hebréia antiga.



Para finalizar este (gigante?) post, existem outras duas palavras que queria mostrar aqui, relacionando-as com o que foi dito acima: בין (bein – “entre”, “espaço vazio entre dois ou mais objetos/pessoas”) e בינה (binah – “entendimento, compreenssão”). Elas provavelmente vêm também da raiz banah, pois para você construir algo, precisa ter compreensão e discernimento daquilo que faz, principalmente se for uma casa para sua própria família. “Entre” contém o elemento de “interioridade”, “espaço” entre as coisas, daí a derivação de banah e bait.



Veja o quanto aprendemos quando “ouvimos” aquilo que o pensamento bíblico-semítico nos tem a dizer, fazendo-nos atentar para conceitos que os modernos tempos querem ofuscar com uma luz energizada pela Razão humana, mas não pelo Pai das Luzes (Tg 1:17), que é a verdadeira fonte de entendimento e sabedoria para nossas vidas e comportamentos.



A Beleza da Caligrafia Árabe

Postado por Erike Couto

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Eu estou (re)estudando atualmente uma das línguas que considero mais bonitas, tanto em riqueza de vocábulos quanto na escrita: o árabe. Idioma pertencente ao ramo das línguas semíticas (mais especificamente da família semítica ocidental), ela é uma língua dinâmica e atual, falada (de acordo com Ethnologue) como língua nativa por cerca de 221 milhões de pessoas. Após a expansão do Islam, apartir do séc. VII d.C, passou a ser a língua religiosa de 250 milhões de mulçumanos ao redor do mundo. Um dos motivos para este status dado ao árabe foi sua utilização na escrita do Qurãn (ou Alcorão),1 livro sagrado do Islam.
Os árabes que aderiram ao Islam, desde que este fora fundado por Maomé, se restringiram em representar seres humanos ou animais em desenhos ou esculturas, temendo que isso pudesse ser tomado por alguns como idolatria ou representações da realidade que poderiam ser postas no lugar da adoração a Deus. Por isso, eles desenvolveram uma complexa (e exuberante) arte caligráfica, que seria usada como adorno e decoração nas mesquitas2 ao redor do mundo.

(Fig. 1: Frases em árabe adornando medalhões suspensos no interior da mesquita de Santa Sofia, em Istambul, Turquia)

Como resultado de mais de 14 séculos de desenvolvimento, a caligrafia árabe se tornou uma arte que exalta, de uma só vez, o apreço árabe pela literatura, pelo expressão do pensar (através da escrita) e pela fineza e delicadeza dos traços, que ganham vida, expressando aquilo que está escrito sob a forma de belos desenhos e formas, mesmo diante do olhos do ignorante da língua sagrada do Islam.
Costumeiramente, os desenhos ou frases estilizados, incrustados nas muros nas cidades e vilarejos do Médio Oriente, são versículos ou ditos do Alcorão, confissões de fé (como o Basmallah ou a Shahadah) ou máximas árabes. Algumas destas pinturas em mesquitas são compostas por textos inteiros, cujas palavras são entrelaçadas de formada complexa ou altamente simétrica, cuja beleza pode ser equiparada, por exemplo, com os afrescos existentes na Capela Sistina, no Vaticano (guardando as diferenças que há entre o Ocidente e o Oriente, claro).
Apesar de profundo admirador, não entendo muito de caligrafia árabe. Mas, levado por um sentimento de louvor a Deus por tamanha beleza, expressa sob a forma de letras, riscos e linhas, feitos por esta cultura milenar, decidi postar este pequeno comentário sobre esta arte árabe.3
Os calígrafos árabes dividiram em grupos os estilos de escrita utilizados para o delineamento desta arte das letras. O primeiro estilo cúfico. É o mais antigos dos estilos de escrita árabe. Ele leva este nome por causa da cidade de onde ele foi difundido, Kufa, no Iraque, cuja fundação remonta à época de Maomé, no século VII d.C.

(Fig. 2: Página do Qurãn do século XI d.C em escrita cúfica)

O Thuluth (“terceiro”) é o estilo que foi mais utilizado em monumentos, mesquitas e edificações em todo o mundo árabe. Desenvolvido principalmente a partir do século XI d.C, não se sabe ao certo porque ele leva este nome. Supõe-se que advenha do fato que a proporção das letras, quando comparadas com o estilo anterior, cúfico, seja três vezes maior.

(Fig. 3: Bandeira da Arábia Saudita: A Shahadah escrita em estilo Thuluth)

O estilo que é uma evolução direta do anterior e que teve o uso irrestrito em diversas cópias do Qurãn foi o Naskh. Seu nome, a propósito, significa justamente isso: cópia. Isso porque sua escrita é a escrita do Thuluth suavizada para a escrita à mão, para que fossem feitas as cópias do livro sagrado do Islam.

(Fig, 4: Página da primeira sura do Qurãn, Al-fatiha, em escrita Naskh)

Por fim, o estilo denominado Nasta’liq (ou Taliq) foi o que mais gerou frutos em seu uso fora do mundo árabe. Desenvolvido por volta do séc. X na Turquia, este estilo foi incorporado, e levemente modificado, por diversas línguas que passaram, depois da expansão do Império Islâmico, a utilizar o alfabeto árabe. Entre estas línguas, estão o urdu e o farsi. Ele é caracterizado por traços rápidos e leves, que acompanham os movimentos da mão quando escrito.

(Fig. 5: Texto persa escrito em Nasta’liq)

Abaixo, alguns exemplos de caligrafia árabe sob a forma de desenhos e formas, exuberantemente desenhadas, que falam por si só:









Quando vejo expressões da cultura humana tão bem elaboradas como a caligrafia árabe desenvolveu ao longo dos séculos, tenho um sentimento de gratidão a Deus, pois sei que somente Ele poderia ter oferecido tamanha graça ao homem, capacitando-o neste tipo de arte como este povo tem conservado ao longo de sua história. Sei também que, na maioria dos casos, os calígrafos árabes nem cogitavam a possibilidade que era Ele que produzia o movimento em suas mãos para tal feito (ou se tinham conhecimento disso, muitos não O conheciam como Ele deveria ter sido conhecido por eles). Mas, sendo nós agentes de redenção no mundo, cuja manifestação como filhos de Deus é ansiada pela Criacão (Rm 8:19), temos o papel de retornar o louvor da expressão de nossa humanidade, incrustado na Cultura, para o Deus Todo-Poderoso, tornando o mundo, mais uma vez, “muito bom”, como no princípio de tudo (Gn 1:31).

Notas:

1) Lit. “recitação”, é o nome do livro sagrado para a religião islâmica, sendo considerado a última revelação à humanidade dada por Deus (Allah em língua árabe) a Maomé (Muhammad), no início do século VII d.C.
2) Em árabe, masjid, lit.: “local de adoração”. Nome dado ao local de reunião comunitário para preces da religião islâmica.
3) Tomei como base as informações encontradas no site http://www.arabiccalligraphy.com/ac/ (acessado em 01/08/09 às 21:00h).

Álef (I)

Postado por Erike Couto

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Estive pensando sobre a letra Aléf, sobre seu significado profundo e interessante. Antes, porém, pesquisei mais um pouco, e descobri coisas que estavam além do que eu poderia imaginar... Aí, decidi escrever algo aqui sobre ela. Na verdade, estou pensando em falar sobre todas as letras do alfabeto hebraico, pois cada letra tem seu próprio significado.

Primeiro, ela é a primeira das letras hebraicas. Seu nome deriva de um termo hebraico, élef, que significa "boi treinado". No hebraico bíblico mais "comum" e no moderno, esta mesma palavra significa "mil", "milhares". Mas, num significado bíblico preservado somente em alguns versículos, significa justamente isso: boi treinado (domesticado pelo homem e treinado para auxiliá-lo em seu labor no campo).


(fig. I) Evolução do Álef ao longo da história.


Podemos ver este significado em Dt 7:13: "E amar-te-á, e abençoar-te-á, e te fará multiplicar; abençoará o fruto do teu ventre, e o fruto da tua terra, o teu grão, e o teu mosto, e o teu azeite, e a criação das tuas vacas, e o rebanho do teu gado miúdo, na terra que jurou a teus pais dar-te" (ACF). Infelizmente, o grifo acima é a tradução da expressão שגר אלפיך - sh'gar 'alafeicha - que realmente significa "os filhotes dos teus bois", como o Targum Pseudo-Ionatan traduz (בקרת תוריכון - bakarat toreichon - "o gado de seus bois").

Mas voltando a letra Álef...

Sua forma primitiva (no proto-semítico e depois no fenício, mostrada na foto em destaque acima) se parecia com uma cabeça de boi. A partir dela, a letra evoluiu para o nosso A uncial romano. Não se sabe o porquê dos semitas terem tomado simbolos, como a cabeça de um boi, para representar sons como do Álef (pois é! o Álef tinha som no passado... era uma pausa na fala feito pela glote, que hoje se perdeu), seu significado como formador de morfemas nas palavras e, enfim, gerador de palavras (pois a palavra Álef tem um verbo associado a ela, אילף - 'ilef - que significa "ensinar, instruir" - origem compreensível - e, como dito, o número "mil" - אלף - élef - significado incompreensível).


(fig. II) Esfinge egípcia achada em Serabit El-Khadim com inscrições em proto-semítico.


A origem destas letras também é um mistério. Alguns dizem que são de origem própria, isto é, os semitas que criaram a partir de suas próprias vivências. Outros dizem que é de origem egípcia (dentre outros motivos, está a descoberta de inscrições em proto-semítico, numa pequena esfinge, nos arredores do Mt. Sinai (Serabit El-Khadim) datadas de circa 1500 a.C., possuindo fortes alusões egípcias. Outros alegam ainda uma origem mesopotâmica, apartir do sumério antigo ou acadiano, ou algo assim. Sustento a opinião de que estas letras são criação dos próprios semitas, possivelmente influenciados pelo caráter (já) milenar destas línguas citadas (egípcio, acadiano e sumério) de possuir símbolos derivados de objetos da realidade do dia-a-dia de seus falantes, que formavam palavras que significavam inicialmente aqueles objetos e que, por analogia mais posteriormente, acabaram também significando palavras mais abstratas ou verbos que tivessem relação com este signo inicial (como o desenho de uma boca para significar "boca", ou casa para significar "casa" em egípcio, e que, posteriormente, estavam incluidos também em verbos como "falar" e "habitar", por exemplo).

(fig. III) Fragmento de inscrições achadas na tumba de Seti II, no Egito. Detalhe: figura de um falcão, que é um dos sinais egípcios que correspondem ao Álef hebraico.


Não creio que os semitas, ou os hebreus, tivessem tomado os símbolos monoliterais ou biliterais egípcios para transformá-los em suas letras semitas, pois não há semelhança alguma entre aquelas equiparando-se a estas. Por exemplo, o signo de um falcão egípcio, que é o mais próximo do Álef semita, não se parece de forma alguma com a cabeça de boi da qual o Álef se derivou, em seus primórdios (compare as figuras I e III). E, como isso ocorre com outras letras semíticas e seus correspondentes egípcios, discordo desta derivação direta vinda do país do Nilo, como alguns alegam. Mas concordo que possa ter havido influências, ao menos...

Voltando ao Álef hebraico...

Além daqueles significados ditos acima, há ainda um terceiro: chefe, príncipe. Uma palavra idêntica ao nome Álef mas de pronúncia ligeiramente diferente nos mostra isso - אלף - aluf. Ela se encontra em vários lugares da Bíblia Hebraica, como em Genesis 36:15: "Estes são os príncipes (אלופי - alufei) dos filhos de Esaú: os filhos de Elifaz, o primogênito de Esaú, o príncipe Temã, o príncipe Omar, o príncipe Zefô, o príncipe Quenaz".

Por que estou levando vocês por todo este caminho até aqui, passando por todos estes significados? Para mostrar que podemos compreender o hebraico, ainda hoje, como aquela espécie de "língua hieroglífica" do passado proto-semítico, onde signos representando algo da realidade se aglomeravam para formar os nomes destes objetos, ou de seres e conceitos diversos, relacionados à própria letra e ao nome dela.

Exemplo prático? vamos lá então. Álef significa "boi"... um animal forte (talvez o mais forte dentre os domésticos)... "chefe" (guia, amigo - Pv 16:28) e algo relacionado à "instrução" (ensino, treinamento). Acabei de mostrar o significado exato da palavra "Álef".

Vejamos... Álef se escreve exatamente como as palavras dos significados que vimos acima, אלף . Esta palavra é formada por 3 letras hebraicas: א - Álef, ל - Lámed e פ - Pêh. Aléf significa apriori "chefe", "forte". Lámed significa "cajado", "direção", "guia". Pêh significa "boca, fala, ensino" (veremos mais a fundo estas letras no devido tempo). Juntando... "o chefe (ou algo ou alguém forte) que guia na direção, ensinando". Por isso uma de suas traduções é "amigo". Mas... forte este significado não acha? Parece uma descrição aplicada ao próprio Deus...

Pois é... não é em vão que a palavra para deus ou Deus em hebraico seja אל -êl, só faltando o Pêh final. Este significado de "deus" vem de outro significado desta palavra, "forte" (que é usada em Sl 29:1). O Álef do hebraico atual tem a forma que deriva de uma evolução das letras hebraicas apartir do aramaico, idioma falado na Babilônia, na época do exílio do povo judeu para lá, no séc. VI a.C. Estas formas do hebraico são denominadas "assírias" (por causa da relação Assíria-Babilônia na época) ou "quadráticas", por causa da forma das letras, como se estivessem "encaixotadas" (ver figura ao lado). Mas, não é por ter uma forma mais "posterior" que o Álef parou de ser interpretado pelos judeus.


(fig. IV) O Álef tal como é escrito pelos escribas em um rolo da Torá casher (apto para o uso sinagogal).


No Talmud está escrito que o Álef seria formado, na verdade, por dois "Yod"s (um por cima e outro por baixo) e uma letra "Vav" no meio, na diagonal, unindo estes "Yod"s (ver fig. IV). Ele continua afirmando que o Yod de cima representa Deus (o Tetragrama começa com esta letra). O Yod de baixo, Israel (que também se inicia com esta pequena letra, no hebraico). E o Vav, que representaria a Torá, se encontra no meio destes dois (Deus e Israel), une-os. Interessante notar que interpretações de tradições mais místicas do judaísmo (Zohar 73a) afirmam que "estes três níveis estão unidos um ao outro: o Santo, Israel e a Torá". Interpreta-se que este dito seja uma referência ao Álef. Isso porque, no original, foram usadas as palavras קודשא - kodsha, para "o Santo"; ישראל - Israel, para "Israel"; e אורייתא - oráiyta - para "Torá". Estas três palavras se iniciam com ק (Qof), י (Yod) e א (Aléf), que, somando seus valores númericos (em um processo que denomina-se Guematria), resulta no valor 111, que é exatamente o valor de cada letra que forma a palavra “Álef” (אל"פ ). Seria uma alusão ao dito talmúdico visto acima? Provavelmente sim...

O melhor disso tudo é que sabemos que Jesus disse que Ele é o “Alfa e o Ômega” (Ap 22:13). O “Alfa” grego, aqui, nos remete ao Álef hebraico, correto? Partindo deste pressuposto, podemos relacionar o que se interpretou no meio judaico sobre o Álef com o próprio Messias. Paulo diz que Ele é o Mediador entre Deus e os homens (I Tm 2:5). Ele seria o “Álef” por excelência, já que Ele, Filho de Deus, o Logos que esteve no sei de Deus, o Pai (o “Yod” de cima, na letra Álef), desceu à Terra, para habitar entre nós, homens (o “Yod” de baixo, na letra Álef), encarnando, tomando a forma de homem como nós, de servo, cumprindo sua missão aqui até o fim, para ser constituído por Deus como o Mediador (o Vav mediano do Álef) de uma Nova Aliança com Israel e, por conseguinte, com o mundo, sendo Ele mesmo a Paz entre nós e Deus (Fp 2:5-6). Sabemos que, apesar dessa língua ser uma língua totalmente humana (o próprio Talmud babilônico afirma isso, quando diz que “a Torá foi dada na língua dos homens” – Berachot 31b), não é por isso que ela deixou de conter elementos da revelação de Deus ao Seu povo Israel e à humanidade. Deus se utiliza de nossa própria humanidade, nossas fraquezas e sucessos, para mostrar o quanto precisamos Dele e de Seu poder atuando em nós (II Co 12:9).

Espero que tenham gostado deste post... acrescentei no título um “I” para indicar que ainda não acabou... mesmo que eu venha comentar de outras letras, voltarei quando convir acrescentando algo a mais sobre o Álef... sendo assim também com outras letras...

Erikebenavraham

Qédem - קדם - "Antiguidade diante de nós"

Postado por Erike Couto

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O primeiro post deste blog será sobre uma palavra que considero tão bela quanto enigmática: קדם - qédem (e sua raíz multifacetada).

Ela aparece cerca de 100 vezes na Bíblia Hebraica, quase sempre na forma substantiva da raíz: קדם - qédem. Nesta forma, ela significa, em algumas passagens, "oriente", como em Genesis 10:30, "E foi a sua habitação desde Messa, indo para Sefar, montanha do oriente (הר הקדם - har hakédem)". Em outras passagens, principalmente no contexto profético das Escrituras, ela significa "passado, tempos antigos". Um exemplo deste uso se encontra em Isaías 23:7, "É esta, porventura, a vossa cidade exultante, cuja origem é dos dias antigos (מימי קדם - mimei qédem), cujos pés a levaram para longe a peregrinar?".

Você pode estar se perguntando porque significados tão estranhos se entrelaçam em uma mesma palavra não é mesmo? Para completar este quadro, existem versículos que apontam um terceiro significado, na forma verbal da palavra: ir adiante de, adiantar-se, avançar. Vê-se isso em Jonas 4:2, "E orou ao SENHOR, e disse: Ah! SENHOR! Não foi esta minha palavra, estando ainda na minha terra? Por isso é que me preveni (קדמתי - qiddamti), fugindo para Társis, pois sabia que és Deus compassivo e misericordioso, longânimo e grande em benignidade, e que te arrependes do mal". Estranho não? Significados aparentemente sem correlação alguma para nós em uma única raíz. Isso mesmom para nós, pois para os antigos habitantes do Oriente Próximo, exta raíz expressa a visão de mundo deles. Devemos pensar como orientais para compreendermos estas correlações.

O sol era a referência de trabalho e de jornada dos antigos hebreus e povos do Oriente Antigo. As direções eram referênciadas ao movimento solar no céu. Por exemplo, a palavra מזרח - mizrách - outra palavra para "oriente", vem do verbo זרח - zarách - que significa "nascer, aparecer reluzindo (o sol)". Já a palavra מערב - ma'arav - significa "ocidente", e vem da raíz ע.ר.ב que significa "nebuloso, escuro, misturado" (pois o sol se põe no oeste, ocidente, deixando tudo escuro e nebuloso). Qédem indica o lugar onde o sol nasce pois ele "se adianta, se antecipa, primeiro" nasce lá. Como este lugar era referência para a localizão espacial dos hebreus antigos, quando eles queriam dizer "diante de nós", ele também utilizavam esta palavra. Vemos isso em Salmos 139:5: "Tu me cercaste por detrás - אחור, achor - e por diante (קדם - qédem), e puseste sobre mim a tua mão".

Qédem é o que está diante do hebreu em termos espaciais (o oriente). Mas, diferente de nós, ocidentais, modernos, capitalistas exacerbados e consumistas desenfreados, em termos temporiais, o que se encontra diante dele é o seu passado, e não o seu futuro. O registro do passado, na Antigüidade de modo geral e para os hebreus particularmente, era essencial pois era ele que traria a memória os grandes atos do passado para a alegria contínua e fidelidade à aliança (no caso do Deus de Israel) e asseguraria um futuro seguro, tranqüilo, com a não ocorrência dos mesmos erros anteriormente cometidos, no caso das derrotas (Deuteronômio 27:2-3: "Será, pois, que, no dia em que passares o Jordão à terra que te der o SENHOR teu Deus, levantar-te-ás umas pedras grandes (monumento à memória), e as caiarás. E, havendo-o passado, escreverás nelas todas as palavras desta lei (o memorial para o futuro de algo ocorrido no passado - o Êxodo - e dado no passado - a Lei), para entrares na terra que te der o SENHOR teu Deus, terra que mana leite e mel, como te falou o SENHOR Deus de teus pais."). Este passado era o que estava "diante" deles (daí qédem com o significado de passado, dias antigos), sempre sendo rememorado. Já o seu futuro era desconhecido, estava "atrás" dele (do hebreu), em um lugar onde ele não poderia enxerguar, escondido. Somente os profetas poderiam "enxergar" o que estava "atrás" deles (אחור - achor, "atrás"). Eles enxergavam o "final dos dias" (אחרית הימים - acharit haiamim) futuro, através do Espírito Santo.

Estas ligações que ocorrem na língua hebraica são riquíssimas e nos trazem conceitos antigos e muito interessantes. Finalizo esta reflexão por agora, mas ainda escreverei mais um post sobre esta raíz numa próxima oportunidade. Este próximo comentário sobre esta raíz considero muito profundo, principalmente para quem crê na Redenção vindoura e plena para o Mundo. Peço somente que aguardem : ) .

Erikebenavraham

Boas-Vindas

Postado por Erike Couto

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Olá gente boa! Estou inaugurando meu blog (ou blogue, como um amigo meu gosta de escrever). Para ser breve - já que gosto de falar muito (no caso aqui, escrever), podendo ser enfadonho - irei resumir em uma simples palavra no que se destina este recém criado blog: etimologia.

Para termos um bom 'pré-começo' na postagem dos comentários aqui, irei explicar, etimologicamente, a origem (seria uma redundância?!) da palavra etimologia.

"Etimologia" vem da palavra grega ἐτυμολογία (para aqueles que desconhecem a língua de Platão, ai vai a transliteração: étimologia). Partindo-a em duas partes, como um pão francês, temos ἔτυμον (étimon), que significa "(sentido) real, verdadeiro" e λογία (logía), que significa "estudo (de algo)". Então, poderiamos traduzir isso tudo como "o estudo do senso verdadeiro, real, correto, das coisas". Já na antiguidade esta expressão era usada, sob a forma adverbial de ἔτυμως (étimôs), com o significado bem próximo do atualmente usado, que é o de "analisar uma palavra etimologicamente, a sua origem"[1].

Você deve estar se perguntando: "Que coisa mais estranha! Para quê serve esse tipo de estudo?". Ai eu respondo: Para muita coisa!! O título (à propósito, me perdoem pela demora em explicar o título) já nos indica para que serve: ככתוב (kakatuv). Esta expressão tem sua origem na língua hebraica rabínica (isto é, na língua falada entre os séculos I e VIII d.C pelos Sábios de Israel), e significa "aquilo como está escrito". E, aquilo que está escrito nas palavras é muito mais do que simplesmente símbolos gráficos que se aglomeram e formam fonemas, morfemas e estruturas línguisticas que emitem sons e nomeiam as coisas. As palavras escritas contém histórias, relatos, verdadeiras epopéias, que partem muitas vezes de épocas remotas da antiguidade (como as palavras hebraicas ou egípcias) e que nos dizem muito sobre o modo de viver, agir, pensar, interagir e mudar o mundo ao seu redor.

Aproveitando o ensejo, quero também explicar o porquê desta palavra em específico: optei por ela pois, além de me remeter significamente e diretamente ao que mencionei a pouco sobre as palavras (é como se kakatuv significasse "o tesouro que está escrito nas palavras"... pelo menos na minha mente vem isso!), também me remete a assuntos que estão ligados a alguém que dedico minha existência: ao Deus Eterno! (já que kakatuv é uma palavra que foi usada normalmente em um ambiente religioso judaico). Iremos sim tratar de teologia. Não sou teólogo, mas somente um curioso. Mas espero que minhas singelas reflexões possam de algum modo ser utéis ao leitor. Até porque, se tudo que o homem faz aqui na Terra faz por causa de uma busca incessante pelo Criador Supremo, não podemos deixar de falar sobre aquilo que está ligado direta ou indiretamente a Ele não é mesmo?

Interessante é que, como Ele sabe que somos infinitamente inferiores em nossas forças e anseios para conseguirmos alcançá-Lo (mesmo que estas forças e anseios sejam expressos com toda a nossa existência), Ele mesmo se encarrega, frequentemente, de ir ao nosso encontro, Se revelando a nós. E, como é sabido, para trazer esta revelação, Ele se utilizou da escrita, para que a aquilo que Ele quisesse nos dizer ficasse registrado para a posteridade, e passado de geração a geração.

Postarei algo comentando sobre atualidade, música, arte, cinema, esportes, notícias marcantes etc? Claro! Não é por se focar na reflexão sobre etimologias que este blog deixará de refletir sobre as etimologias incrustradas nestas diversas áreas da cultura humana. O estudo da língua, das palavras, de suas relações e suas ancestralidades, conjuntamente com os fatos ocorridos no passado, entre os povos da Antigüidade, seus valores e visão de mundo são tão importantes para nós, hoje, em pleno século XXI, pois de alguma forma nosso viver hoje está permeado de ligações com estes elementos que cremos pertecerem somente ao passado distante ou aos livros de empoeiradas bibliotecas.

O aprofundamento nesses assuntos nos traz a memória nossos erros, fragilidades e incertezas como seres humanos. Mas também nos mostra o quanto somo seres pensantes, criativos e desejosos por avançar e crescer em nossas vidas, em construir algo, mesmo que seja ponto somente um tijolo. neste grande edifício da História, sob a supervisão do Criador do Universo.

Farei deste espaço virtual um local de reflexões próprias. Utilizarei comentaristas, teoricos, pensamentos etc, mas sempre partirá de uma reflexão pessoal sobre a vida, utilizando como base a semântica das palavras, que moldam-na e dá forma às idéias, seres e objetos ao nosso redor.

Até...

Erikebenavraham